Farra Gastronomica e Cultural

Por: Jaqueline Velho Araújo

No início do mês de Julho, estive visitando a cidade de Paraty – RJ, o intuito era realizar um sonho antigo de conhecer a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Para minha surpresa, esta viagem não foi só de enriquecimento cultural, mas uma grande surpresa gastronômica também. E resolvi compartilhar com vocês e quem sabe entusiasmá-los para no próximo ano, conhecer este lugar encantador. (Com certeza esta não será minha única visita).

 

Como acompanhantes desta viagem, digamos quase aventura, participaram dois grandes amigos. Quando me refiro como aventura, é porque para chegar a Paraty, tivemos que traçar e organizar um longo roteiro. De Santa Catarina a Paraty, foi necessário um deslocamento de carro até a capital Florianópolis, utilizamos avião até Guarulhos – SP (a parte mais rápida e tranquila), e de São Paulo, optamos por um transfer que nos levou do aeroporto até a Pousada Atobá em Paraty. (Este transfer, levou 5 horas, aqui está a aventura). Nesta trajetória, fizemos nosso primeiro contato com a questão culinária, o motorista fez a primeira parada em um local chamado Recando do Curió. Próximo a cidade de Taubaté, esta região é composta por grandes fazendas, e este local dava a impressão de ser uma fazenda antiga, transformada em restaurante. Um lugar belíssimo, super estruturado, porém o que chamou nossa atenção, foi que devido ao horário, optamos por fazer um lanche, e pra nossa surpresa, apesar da estrutura, ao pedir o lanche, nos entregaram no próprio guardanapo. Ao solicitarmos um prato, para podermos nos locomover melhor até a mesa, não havia e nos entregaram um pires. Frescura da nossa parte? Não sei, talvez costumes diferentes. De qualquer forma, alimentados, seguimos viagem.

No trajeto, passamos por uma serra belíssima, em termos de relevo muito parecida a minha querida Serra do Rio do Rastro, porém mais extensa, e com o grande diferencial de encontrarmos o mar ao final da serra. Uma imagem que quando fecho os olhos relembro perfeitamente, e agradeço por não ter aeroporto em Paraty, pois compensou as 5 horas, sem dúvida alguma.

Instalados na Pousada Atobá, ficamos surpresos com a questão climática, em pleno inverno gelado em Santa Catarina, estávamos com uma temperatura super agradável como se fosse início de verão, dava até parar encarar uma praia, tranquilamente. Porém nossa curiosidade maior era a FLIP e principalmente assistir Betânia recitar Fernando Pessoa.

A noite, assistimos Maria Bethânia e a professora Cleonice Berardinelli, membro da Academia Brasileira de Letras, carinhosamente chamada de D. Cléo movidas pelo mesmo entusiasmo, pela poesia de Fernando Pessoa, subiram juntas ao palco da Flip para homenagear o poeta português. E que homenagem! Betânia é única, mas eu fiquei abobalhada com a D. Cléo, deu vontade de levá-la pra casa.

No dia seguinte, saímos cedinho, com o intuito de explorar a cidade de Paraty, uma cidade em que a cultura brota por todos os cantos, livros em árvores, música por todos os lados, crianças entusiasmadas com a leitura. Até na onda das manifestações, o povo de Paraty também demonstrou sua indignação com o governo brasileiro.

E claro não posso esquecer, a culinária, o que mais me surpreendeu além da variedade e opções, foram a quantidade de restaurantes, até os mais simples possuíam um Chef responsável. A maioria dos restaurantes com pratos de criação própria, muita música de qualidade ao vivo e o mais interessante, preços extremamente acessíveis. A grande receita de sucesso que percebi dos restaurantes de Paraty é a percepção e atenção ao turista, de modo que ele se alimente bem, sinta-se confortável e que principalmente não seja “assaltado” ao receber sua conta. Desta forma, assim como eu, acredito que vários turistas retornam e sem dúvidas levam sempre mais pessoas.