Intoxicação alimentar: a culpa é da Salmonella. Será?

saude84_2Quando falamos de intoxicação alimentar e comentamos isso em casa, com amigos, em sala de aula ou palestras técnicas, é comum que as pessoas logo relatem episódios relacionando a Salmonella, tratando-a como a grande vilã da história.

Antes de discorrer a respeito do tema, destaco que este texto tem um caráter informativo. Caso queiram obter infomações técnicas e referenciadas, possuímos neste blog, uma área para que você faça download destes materiais referenciados para estudo e análise (descrições sobre microbiologia, DTA´s e afins).

A ideia deste texto não é absolver a “Salmonela”, e sim, apresentar algumas informações complementares importantes para ficarmos atentos quando tratamos do assunto intoxicação alimentar, bem como dos riscos microbiológicos que nos cercam. Muitas vezes, culpando apenas a Salmonella, deixamos de lado outros tipos de bactérias tão perigosas quanto, sem ao menos imaginar que elas estão presentes em nosso dia a dia.

Por favor, não quero que após esta leitura você fique paranóico e sinta vontades incontroláveis de viver numa bolha, ao concluir que as bactérias estão em todo o lugar! Digo sempre: ao adquirirmos os devidos conhecimentos sobre bactérias, podemos conviver com elas pacificamente, aprendendo a diminuir os riscos para nossa saúde.

Quando falamos de bactérias que causam intoxicação alimentar, estamos tratando de bactérias patogênicas (ou se preferirmos um termo mais técnico, enterobactérias). Destaco que neste grupo encontra-se a famosa, porém nem tão lembrada, Escherichia Coli , popular E. Coli, nome utilizado para definir coliformes fecais. Trata-se de uma bactéria que tem como habitat natural o intestino dos seres humanos. É controlada pelo nosso sistema imunológico. Normalmente, a intoxicação alimentar pela E. Coli, vem de agentes externos, como alimentos ou água contaminados por fezes.

Vejam só que interessante, quando ingerimos alimentos contaminados por esta bactéria, os sintomas são semelhantes aos causados pela ingestão da Salmonella. Portanto, devemos também questionar como estes alimentos puderam ser contaminados. Via de regra, a contaminação acontece através da manipulação dos alimentos por uma pessoa que não possua bons hábitos higiênicos.

O que muitas vezes não percebemos é que o simples fato de não higienizarmos as mãos após utilizar o banheiro pode ser um prato cheio para a contaminação. Principalmente, se em seguida nos alimentarmos. Esta bactéria E-coli, descrita acima, torna-se nossa convidada de honra para a refeição e, neste caso, estaríamos nos autoinfectando.

O que acontece é que os sintomas decorrentes da infecção por E. coli, como: diarreia, náuseas e febre, geralmente aparecem de 6 a 36 horas após a ingestão. E  como saber se era o alimento que estava contaminado ou se foi a autoinfecção a responsável?

Portanto, como a identificação dos fatores que causaram essa infecção é complicada, devemos procurar trabalhar sempre com a prevenção.

 

Prevenção, a alma do negócio
Neste quesito, destaco algumas medidas simples, mas bastante eficazes:
1) Atenção aos  hábitos higiênicos, neste caso em particular: – higienizar as mãos, sempre! (em breve postarei um texto sobre este assunto);
2) Uma outra sugestão, para os que se alimentam fora de casa, é ficar atento aos estabelecimentos e principalmente nas pessoas que manipulam os alimentos.

Há quem use algumas frases do tipo: “o que os olhos não veem, o estômago não sente”; ou “o bixo maior come o menor”. E, eu sempre completo: “Estas filosofias são válidas até você ser contemplado com os sintomas de uma intoxicação alimentar”. A dica é: cuidados simples, sem paranóia.

É muito melhor prevenir, do que remediar. Seu organismo agradece!

Por Jaqueline Velho Araújo