LÍTIO: o futuro num deserto de sal

O GPS marca: 20°08’01 Sul 67°29’20 Oeste. Salar de Uyuni, Bolívia, América do Sul. A 3.760 metros de altitude, o vento sopra forte, e o sol parece tão próximo que dá a impressão de que podemos tocá-lo.

Os operários têm o rosto tapado com capuzes de lã e óculos escuros para se proteger dos raios solares. Parecem fazer pouco caso do ar rarefeito, capaz de imobilizar as pernas e, a qualquer esforço, lançar nossos batimentos cardíacos a um ritmo galopante. São 70, e trabalham no projeto mais importante de seu país: a construção da primeira instalação industrial de exploração de lítio. O salar de Uyuni, um deserto branco de sal de 12 mil km2 localizado no sul da Bolívia, é onde está a maior jazida do mundo desse precioso material.

Os operários trabalham em turnos de 21 dias e dormem em precárias casinhas de madeira que pouco ajudam a barrar o frio de -25 °C durante as noites de inverno. Por isso, o primeiro edifício a sair da planta e o único que está quase terminado é justamente o quarteirão habitacional, onde os peões se alojam, situado ao lado dos futuros laboratórios.

Quando o presidente Evo Morales assentou o primeiro tijolo do projeto, em maio de 2008, estimava-se que as obras terminassem em novembro de 2009. A um mês do prazo estipulado, o governo boliviano terá que se ajustar à realidade: somente em janeiro do ano que vem a fábrica deve processar a primeira das 40 toneladas mensais de carbonato de lítio. De acordo com as estimativas mais prudentes, debaixo do chão imaculado do salar de Uyuni, repousam pelo menos 100 milhões de toneladas de lítio. Cada tonelada vale US$ 5.500.